Nelson Chaves é homenageado por Raimundo Santos pelo projeto ambiental em Belém
Deputado Raimundo Santos reconhece empenho de mais de 30 anos do engenheiro civil Nelson Chaves para criar importante espaço ambiental em Belém

“A iminente materialização do ‘Parque da Cidade’ – o aguardado e decerto impressionante complexo ambiental-paisagístico e turístico urbano em Belém do Pará – é a concepção da comovente perseverança de um homem que, pode-se afirmar, vem sonhando acordado há cerca de 36 anos”. É assim que começa a argumentação do requerimento de voto de louvor nº 336/2025 do deputado Raimundo Santos, apresentado em 10 de fevereiro para homenagear o engenheiro civil e conselheiro aposentado do Tribunal de Contas do Pará (TCE-PA) Nelson Luiz Teixeira Chaves, autor do moderno e necessário projeto ambiental em plena área urbana de Belém.
Com infraestrutura contemporânea, a futura obra sairá do papel por meio do governo do Estado em área historicamente movimentada no bairro do Souza, agora em 2025 – coincidentemente o ano da Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), que será realizada na capital do Estado entre 10 e 21 de novembro.
Desde 1989, o engenheiro civil Nelson Luiz Teixeira Chaves, no momento um ex-vereador, ex-deputado estadual e conselheiro aposentado do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PA) concebeu a ideia do que passou a apresentar como “Proposta para o Parque de Belém” – consistia basicamente no aproveitamento estratégico de um espaço tomado de vegetação parcialmente intocável que mede em torno de 60 hectares, onde funcionava o tradicional Aeroclube de Belém (que poderia ser deslocado para um outro endereço, cumprindo suas importantes atividades, em especial as de cunho social). Para se ter uma noção de sua grandiosidade, o Parque Zoobotânico Bosque Rodrigues Alves, um dos principais cartões-postais da cidade com quase 142 anos de fundação, no prestigiado bairro do Marco, mede 15 hectares.
Nelson Chaves, como é mais conhecido, hoje com 78 anos, sempre argumentou que o crescimento demográfico em Belém tornava inviável o funcionamento do Aeroclube no Aeroporto Brigadeiro Protásio, cortado por vias de grandes tráfegos – as avenidas Júlio César e Pedro Álvares Cabral e próximo da mais movimentada artéria da capital, a avenida Almirante Barroso, bem como da igualmente agitada avenida Doutor Freitas. Ele dizia também que o crescimento populacional diminuía de forma drástica a arborização em Belém com a exploração imobiliária na construção de conjuntos habitacionais. Fatos incontestáveis embasam suas argumentações.
Em suas edições virtual e física de 13 de fevereiro de 2019, o jornal “Amazônia” relembrou acidentes com aviões de pequeno porte envolvendo as proximidades do aeroporto. Diz o veículo de comunicação:
“No dia 26 de abril de 2013, um avião monomotor modelo Cessna 210L, vindo de Chaves, no Marajó, fez um pouso forçado na área gramada do elevado Daniel Berg, na Avenida Júlio César, em Belém, provocando a morte de uma das passageiras e do piloto, Vicente de Paulo Guimarães Cancela. Três anos depois, em 2 de julho de 2016, a queda de outro monomotor modelo Cessna, de prefixo PT-DJH, levou à morte quatro pessoas. A aeronave decolou do Aeroclube do Pará com cinco ocupantes que participavam de um curso de paraquedismo.
Segundo testemunhas, um dos passageiros conseguiu saltar antes da aeronave cair, porém o piloto Ronaldo Olímpio Oliveira, o instrutor de paraquedismo Douglas Dourado e os passageiros Reginaldo Pinheiro e sua filha Lara Pinheiro, não resistiram à queda e morreram no local.
O avião decolou às 12h50 do Aeroclube de Belém e caiu dentro do terreno da Empresa Brasileira de Pesquisa e Agropecuária (Embrapa), no bairro do Curió-Utinga, em Belém, às 13h38. Três corpos estavam perto dos destroços do avião e a quarta vítima foi localizada somente às 16 horas”.
Atualmente, se estivesse funcionando como pista de pouso e decolagem, o Brigadeiro Protásio continuaria oferecendo risco considerável, dadas as notícias de quedas de aeronaves em várias regiões brasileiras, inclusive na Amazônia, em razão das condições climáticas, o que eleva as possibilidades de falhas mecânicas e humanas.
Nascido na capital paraense em 17 de novembro de 1946, Nelson Chaves decidiu lutar pela viabilização do Parque de Belém. Por mais de três décadas e meia, formatou registros documentais e iconográficos, de apoios formais de autoridades e de notícias em diferentes veículos de Imprensa. Até março de 2018, por exemplo, a coletânea tinha 198 páginas, cronológica e meticulosamente organizadas. Questões técnicas, burocráticas e políticas consumiram todo esse tempo e chegaram a minar a sua confiança no projeto, mas não acabaram com a sua perseverança e fé.
Comparativamente, ele queria para Belém o que simboliza o Parque do Ibirapuera para São Paulo com os 158 hectares, ou o que representa para Nova York o Central Parque, que tem impressionantes 340 hectares. O sonho grande que acalentava aparentemente empolgou a muitos, mas a ação que esperava não se concretizava. No entanto, a situação passou a mudar a partir de 2017.
Em 23 de janeiro daquele ano, o jornal “Diário do Pará” noticiou em sua coluna Repórter Diário: “Nelson Chaves, do TCE, entregou ao ministro Helder Barbalho, da Integração Nacional, um completo dossiê sobre todas as ações em torno do Parque de Belém, na área do Aeroclube”.
Helder Barbalho, hoje governador do Pará, decidiu realizar a obra. Em 13 de dezembro de 2019, o Diário On-line subiu a reportagem intitulada “Governo lança edital para obra do Parque da Cidade”. O primeiro parágrafo da matéria dizia: “Para ressignificar a área do Aeroporto Brigadeiro Protásio, no bairro do Souza, em Belém, que será remanejado, o Governo do Estado, através da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), lançou nesta sexta (13), o edital Prêmio Conceito do Parque da Cidade para escolher o projeto arquitetônico que transformará o espaço, que abriga o aeroclube, em um complexo de lazer completo”.
Em seguida, o texto informou: “Helder Barbalho apresentou a iniciativa como o maior projeto paisagístico-urbano dos últimos cem anos. ‘Nós não temos o direito de pensar pequeno. Estamos diante de mais uma oportunidade de criar um novo cartão de visitas, um portal de entrada para quem quer aqui estar’, discursou”. Na ressignificação do espaço compreende 93 hectares, o equivale a 20 campos de futebol, e faz divisa com os bairros do Marco, Pedreira, Sacramenta e Marambaia.
Nelson Chaves tem notável trajetória de servidor público. Formou-se no curso de Engenharia Civil pela Universidade Federal do Pará (UFPA) em 1970, instituição pela qual foi professor, e notabilizou-se como vereador de Belém (período 1989 a 1991), onde ocupou o posto de presidente (1989 a 1990) e deputado estadual (de 1991 a 1995).
Empossado conselheiro no TCE-PA em 24 de abril de 1995, assumiu a presidência de 1997 a 1998, empreendendo uma série de inovações institucionais. Em 26 anos no tribunal, ocupou cargos relevantes, destaque em coordenações em setores como de Recursos Humanos, de Processos, Informática, Assistência Social, Recursos Humanos e de Sistematização, Consolidação e Jurisprudência. Em novembro de 2021, aposentou-se, deixando um legado dos mais importantes.